Sugestão de leitura: Como será o amanhã?

1 de novembro de 2013
Por Tião Martins



Belo Horizonte, Vitória, Rio, São Paulo, Salvador, Curitiba.

Se você já está cansado de viver, acredita na sorte ou no tal anjo da guarda, escolha uma dessas cidades e se arrisque a sair sozinho pelas ruas, depois da meia-noite.

24 de outubro de 2013
Crônicas

Não espere que a família lhe deseje boa travessia, porque desejar é inútil. Se durante o dia já é perigoso, à noite ninguém mais está seguro, nas ruas das maiores cidades brasileiras. Ou das médias. E até das pequenas.

Crimes de natureza sexual acontecem diariamente nas grandes e tiram o sono até das menores, como Itajubá, onde uma jovem estudante foi violentada e morta há poucos dias, quando voltava da escola por uma rua deserta.

Aparentemente deserta, porque não há mais ruas desertas e lugar nenhum. É pura ilusão ou saudosismo. O que existe, nesse aparente deserto, é armadilha e esconderijo, onde o atacante prepara o próximo assalto e pode disparar uma arma, ainda que você não resista e nem o provoque.

Meninos na faixa de 12 e 15 anos já atiram tão bem quanto os adultos. Eles são profissionais e você é o eterno amador. E não temem a prisão, porque sabem de cor os artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Assim, a cumplicidade entre adultos, adolescentes e crianças, para roubos, assaltos, estupros e invasão de residência e casas comerciais, protege os grandes e os pequenos bandidos.

E as autoridades não confessam, mas estão perplexas. Em todas as cidades, com a cumplicidade da mídia, a polícia trata um caso como se fosse o único, até achar o culpado. E, assim, tenta dar ao cidadão uma sensação de segurança. Tentativa louvável,masinútil.

Até outro dia, a mágica funcionava, mas o medo cresceu e hoje é maior que o teatro da eficiência. E os criminosos sabem disso melhor que você.

Com ou sem motivo palpável, as pessoas sentem mais e mais medo. E ninguém sai por aí apalpando esquinas para ver se está lá um assaltante ou estuprador.

Como no Velho Oeste, enquanto os bandidos controlam as ruas, os cidadãos correm para casa e trancam as portas, sem saber como será o amanhã (Tião Martins).

Portal DOPC dedica este texto ao professor Luiz Claudio M. Ribeiro, da Unversidade Federal do ES (Ufes).

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Luiz Cláudio Ribeiro

Carissimo Oleari, estou lisonjeado com esta dedicação a mim. O texto de fato é uma boa reflexão, simples e direta, do que é viver no Brasil; na verdade um retrato de olho autorizado sobre o que passam as pessoas simples no nosso país, que só querem viver suas vidas com tranquilidade para ir à rua, trabalhar, ir á igreja, passear desarmadas por viverem num mundo interior de paz e fraternidade. Será que teremos de acabar como tudo que um dia já fomos e tivemos, enquanto os políticos demagogos nos incutem que a ideia do futuro se parece cada vez mais com o passado saudoso para o qual nunca voltaremos?

Don Oleari

Professor, o Rubens Pontes me indicou o texto do seu amigo, também mineiro, Tião Martins, li-o e imediatamente me lembrei de textos seus que tenho visto aí pelos feicibuqui da vida.
Certamente, professor, esse processo de desenvolvimento desregrado, sem freio, sem estudos preliminares do impacto que causarão às populações e às regiões, jamais nos permitirá a esse passado referido pelo professor.

Um exemplo gritante: a BR 262, com cerca de 40 anos de operação já saturou há pelo menos 20 anos, não suporta mais o fantástico peso imposto por esse crescimento desenfreado e o que ocorre? Os governantes enrolam, o processo de duplicação não anda, empurra praqui empurra prali, e quem está sobe esses efeitos danosos, diretos? Toda uma população que, a bem da verdade, também não pratica o mínimo senso crítico e o lance maior é comprar carro sem IPI em 84 parcelas.
Imagina, professor, a Região Metropolitana de Vitória com cerca de 38 mil uidades residenciais em construção, mais milhares de automóveis certamente impestiando as parcas avenidas, pontes, vielas, ruas, entroncamentos, dentro de 3 a 5 anos...
O caos anunciado...

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